Apesar de
tudo que escrevi no Pensamentos Equivocados, gostei do filme, e se não leu ainda,
leia.
É um filme consistente, como sempre bem dirigido (Tim Burton é fantástico, disso não tenho dúvidas apesar de algumas ressalvas), mas não é uma obra prima. Peca em determinados momentos como se eu8 sentisse algo estranho, a falta de algo, mas considerando que é baseado em uma peça de teatro, por sinal, um musical, não estranho a falta de elementos, mas não deixo de sentí-las. Incomoda? Não.
Ficha:
Nome: Sweeney Todd:
O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (ano 2007)
Nome Original: SWEENEY TODD - The Demon Barber of Fleet Street
Página oficial: http://www.sweeneytoddmovie.com/
Direção: Tim Burton
Adaptado do musical: Stephen Sondheim
Elenco (os mais famosos apenas): Johnny Depp (Sweeney Todd)Helena Bonham Carter (Mrs. Lovett)Alan Rickman (Juiz Turpin)Timothy Spall (Beadle Bamford)
Agora uma ressalva: Se reconhecem os nomes e os associam com Harry Potter e Piratas do Caribe, ou mesmo com Batman, esqueçam. Primeiro, é um musical, segundo não tem nem de perto a temática dos filmes que citei, se houver em comum - e apenas no caso de Batman. - a atmosfera mórbida, para por aí. Não assistam ou levem filhos, vão se arrepender se não se informarem muito bem antes.
Deste ponto em diante contém além de opinião, informações sobre o filme que podem de certa forma estragar a surpresa. Se ainda assim quiser arriscar, sinta-se bem vindo, senão, escolha outro artigo e divirta-se.O filme possui duas tramas, uma delas é a vingança de Sweeney Todd, e a outra é a libertação de sua filha, que está nas mãos cruéis do mesmo homem que destruiu a vida e casamento do barbeiro. Começa bem, com o barbeiro sendo reconduzido a Londres depois de muito tempo de exílio (ou algo assim) por um jovem marinheiro que depois também se torna personagem da trama secundária.
Depois de encontrar-se com a que seria sua companheira durante o filme, a Sra. Lovett, ele inicia sua vingança matando uma pessoa que o reconhece, e depois disso tem a idéia de fazer tortas até o desenrolar previsível do filme, onde apenas escapam vivos o marinheiro a filha de Todd e o garotinho principal. Todos os demais ou morrem e viram tortas ou apenas viram tortas.
Para quem gosta de musicais, filmes no caso, é muito bom. E até para quem não curte também é. Ele nao exagera na dose forçando diálogos musicados o tempo todo, na verdade até evita e existem cenas inteiras sem nenhuma canção e até personagens que cantam pouco. Por sinal, percebe-se uma coisa interessante: a canção é resultado do humor dos personagens e não de seus atos.

Não entendeu?
O personagem não canta porque
tem que estar cantando, como se cantar fosse algo coloquial e todo mundo fizesse.
Canta quando há momento para isso, e você até percebe isso porque Tim Burton conseguiu colocar isso muito bem e de forma que você não se sente incomodado quando canções começam ou terminam, sente elas como parte do contexto e não como algo forçado. E isso faz uma enorme diferença.
Outra coisa que reparei é que Tim Burton mais uma vez utilizou e manipulou os efeitos especiais de forma a conseguir tornar a censura mais branda, e tudo isso apenas mudando a pigmentação do sangue. E há muito sangue, por sinal, em determinados pontos não fosse essa coloração o filme teria se tornado pior que muito filme de terror, principalmente porque lida com uma situação menos ficcional que outros: é um barbeiro degolando.
O sangue é vermelho claro, arrisco dizer que é quase rosa e caricato. O sangue esguicha, voa, acerta a câmera, as pessoas padecem tudo de modo tão, digamos, "ridículo" que ameniza de alguma forma. A parte mais violenta, no meu ver, é quando Todd pega uma pessoa - cujo nome omito. - e a espanca até a quase morte usando uma tina/panela ou algo assim (problemas citados no Pensamentos Equivocados me impediram de ver direito a cena).

A trama se desenrola bem e não se arrasta. A parte da loja cheia de pessoas comendo as tortas com "tempero especial" é nojenta pelo modo como é mostrada, mas não contém nada inapropriado. O mais engraçado é quando Sra. Lovett canta sobre o que planeja ao futuro, eu ao menos gargalhei muito em determinados pontos.
O final é previsível, dado o tema, e ninguém da trama principal se safa. Há uma quase surpresa no final que descepciona mais as pessoas que torcem por finais felizes e o final feliz que existe não é mostrado propositalmente. Quem está acostumado com finais completos até estranha, mas considerando que o tema principal é Todd e não o resto, fica mais fácil aceitar ou engolir.
Um musical bom, não peca por exagero e tem o traço visual que é característico de Tim Burton, até mesmo um de seus tradicionais bonecos (quem assiste aos filmes dele sabe que ele sempre coloca um) aparecem, mas de modo sucinto.
Vale a pena se ver, mas não esperem mais do que um musical mórbido. Mas se procuram por algo mais tradicional e menos inovador, escolham o filme Monstro de Blair, que estreou também esses dias.
E é um filme do tipo "amor ou ódio", ou você vai adorar ou vai odiar a ponto de abandonar a sala de projeção, como vi acontecer. E aconselho ter estômago, porque se for alguém que assiste o filme de forma que mistura com sua realidade, nunca mais irá ao barbeiro.
Se tivesse que dar uma nota, daria um 8,5. =D